Quem é Adriana Brasil e o que você faz?
Sou arquiteta, trabalho com maquetes eletrônicas, plantas humanizadas e animações para as áreas de arquitetura, engenharia, design e afins. Ministro aulas de Cad, Maquetes Eletrônicas, Sketchup e Plantas Humanizadas. Baiana morando em Fortaleza, torcedora do Vitória, escorpiana e uma apaixonada por Computação Gráfica.
Como foi que você entrou para a área 3d?
Meu primeiro contato com CG foi na UFBA ( Universidade Federal do Estado da Bahia), quando consegui desenhar no computador pela primeira vez. Descobri que era aquilo que me deixava realizada, o que queria fazer. Desde então não parei mais.
Existe algum tipo de preconceito na área 3d que você viu ou enfrentou por ser mulher?
Realmente, a área de 3D tem uma predominância masculina mas nunca vivi uma situação de preconceito aberta, declarada. Mas se acontecesse, não seria motivo de obstáculo, pelo contrário, me motivaria ainda mais a mostrar a diversidade e o profissionalismo que a mulher pode trazer a essa área.
Por que motivo em sua opinião as mulheres ainda não tem uma atuação forte nesta área?
Acho que é cultural, a computação gráfica ainda tem muito a ver com conhecimentos da área de informática e isso, infelizmente, ainda é uma área predominantemente masculina. Já vejo alguma mudança, mas ainda de forma tímida.
Em seu blog, temos contato com trabalhos belíssimos e muito bem produzidos. Qual é o cuidado maior que você toma ao executar estes trabalhos?
Para a criação de uma boa imagem sempre são necessários requisitos básicos: boas texturas, boa modelagem e uma boa configuração de render. E temos que sempre estar estudando esses requisitos, buscando a perfeição e a melhoria contínua.
O cliente nota o toque feminino empregado nas maquetes que você executa ou passa despercebido?
Não sei dizer, mas acredito que todos que trabalham nessa área buscam a riqueza de detalhes.
Quais são os assuntos da área 3d que você considera mais difícil de reproduzir e por quê?
Modelagem orgânica e render externo. Modelagem orgânica por ser uma modelagem mais complexa, mais artística. Render externo por ser mais difícil encontrar uma iluminação ideal.
Você adota o uso de plug-ins em seus trabalhos para facilitar as tarefas ou prefere criar do seu jeito os detalhes mais relevantes?
Sim, existem plug-ins muito interessantes que nos poupam tempo e nos dão uma qualidade maior aos trabalhos. Um exemplo são os plug-ins para criação de vegetação.
Na sua região, os clientes estão voltados especificamente para que tipo de realidade 3d. O que é que eles mais pedem?
Sempre atuei no Nordeste, os trabalhos que chegam até a mim são voltados a Arquitetura como estudos de fachada, decoração e arquitetura em geral. Contudo, percebo que não há uma grande valorização desse tipo de serviço, por isso muitas pessoas que atuam na área ficam desestimuladas. Infelizmente.
Em que sentido as maquetes digitais brasileiras podem melhorar em sua opinião?
Existem trabalhos excelentes criados no Brasil, muitos não deixam a desejar em nada para o mercado exterior. Mas existem muitos profissionais surgindo e a necessidade de aperfeiçoamento e regulamentação é sempre importante. Com certeza temos um futuro promissor na área de 3D, pois o interesse nessa área tem crescido e com isso a demanda de cursos, faculdades e especializações serão maiores.
Quais são as maiores limitações que o artista 3d enfrenta em seu caminho na criação de maquetes?
Desvalorização do trabalho. Infelizmente encontramos clientes que solicitam a chamada “maquetezinha”, barata e rápida de fazer. Mas acredito que esta situação tende a melhorar, pois já temos cursos acadêmicos – graduação e pós-graduação voltados para a área de Computação Gráfica o que é uma ótima oportunidade de uma regulamentação e valorização futura.
Quais ferramentas 3d você utiliza freqüentemente em sua produções?
Trabalho com programas de 3d , editor de imagens e plug-ins.
O que impressiona mais o cliente em sua opinião, ambiente externo ou interno? Ambiente diurno ou noturno?
Pode ser qualquer um desses ambientes, qualquer imagem bem feita sempre impressiona.
Fazer grama, água realista, telhados, materiais de vidro, pisos e árvores são elementos que podem enriquecer ou matar um projeto profissional. Que medidas você toma ao ter que criar estes itens em seus trabalhos? Como você encara estas dificuldades?
Sempre testando os efeitos de cada material, com a experiência teremos uma melhoria nesses efeitos, o que requer bastante persistência até encontrar o melhor mapa, a melhor luz, etc...
Que seqüência de produção você adota em seus trabalhos para que tudo fique perfeito e o projeto seja entregue no prazo?
Busco ter boas bibliotecas de blocos e texturas organizadas. Além disso, procuro ter uma seqüência de montagem dos cenários: modelagem, aplicação de material e render.
Você modela seus projetos diretamente no 3d ou utiliza o AutoCAD em conjunto?
Modelo diretamente no 3d, importando uma base Cad.
Qual é o renderizador perfeito em sua opinião?
Não defendo renderizador, mas sim o profissional que faz a imagem.
Configurar um render para que as imagens ou animação saiam agradáveis exige conhecimento avançado no renderizador. O que você considera crucial e importante para configurar o render de suas imagens?
Não existe uma fórmula exata para renderizar nem apenas um fator que irá determinar a qualidade do render, mas existem requisitos importantes como saber diferenciar uma iluminação interna de uma externa, entendimento do GI, rebatimentos de luz, definição de bordas entre outras coisas...
Quais conhecimentos precisam ter um profissional que executa maquetes eletrônicas?
Ter conhecimentos em leitura de projetos arquitetônicos, noções de ambiente espacial, ter paciência e gostar de computação gráfica.
É preciso ser arquiteto ou engenheiro para se produzir estes trabalhos? É necessária uma formação universitária em sua opinião?
Formação universitária é sempre importante, porém não é necessário ser arquiteto ou engenheiro para fazer maquete eletrônica. No meu caso, a minha formação ajuda muito no entendimento e desenvolvimento dos trabalhos e troca de informações com o cliente.
Além de cumprir prazo e entregar um trabalho bonito, o que mais o cliente exige do profissional durante este trâmite todo?
Uma boa comunicação. Ser atencioso mostrando o desenvolvimento do trabalho e suas possíveis modificações.
Qual é o trabalho que você fez que mais lhe dá orgulho e por quê?
Sempre o último é o que me dá mais orgulho, pois significa cumprir prazo e qualidade exigidos pelo cliente.
Composição e pós-produção são sempre necessárias em sua opinião?
Às vezes algumas imagens praticamente não precisam de pós-produção, mas na maioria das vezes é necessário usar algum editor de imagem, sim. Eles são práticos e fazem correções rápidas, muito comuns nas criações de imagens.
Qual a importância dos Workshops 3d na carreira profissional?
Importante ter contato com profissionais que você admira e que não tinha tido oportunidade de conhecer pessoalmente, troca de experiências, e ter oportunidade de analisar o cenário nacional na área de 3D.
O que você gostaria de deixar para os que estão iniciando agora e para quem pretende entrar na área?
Que não desistam. Geralmente os profissionais de Computação Gráfica trabalham com o que gostam, sentem prazer nisso. Isso é excelente, porém precisamos também saber sobreviver da Computação Gráfica e aí é que muitos desistem diante dos primeiros obstáculos. A Computação Gráfica é um leque de opções interessantes em diversas áreas; é escolher um foco e direcionar um objetivo. Estudar sempre, trocar informações com pessoas mais experientes, participar de fóruns, discussões, workshops, enfim... tornar sua vida profissional um constante aprendizado.
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